Pedido de desculpa a todos…

Sexta-feira, 3 Junho, 2011 at 15:32 Deixe o seu comentário

A todos os meus amigos e conhecidos, as minhas desculpas. Sim. A todos devo um pedido de desculpas, uma explicação. Sem excepção. Tenho sido muito ausente (nome bonito) nestes últimos setecentos e trinta dias. Mais ou menos. Para alguns até há mais tempo. Poderia desculpar-me com as vicissitudes da vida. Não estaria a ser correcto. Nem tudo pode ser desculpado por isto. A verdade é que não tenho andado muito bom. Já vejo alguns a dizer “ah e tal ele nunca bateu bem das ideias, qual é a novidade?”. Pois…a novidade é que neste momento eu estou a pedir desculpa pela minha invisibilidade. Quer dizer, eu estou por aqui, sabem que se precisarem, estou à distância de um telefonema, uma mensagem, um post de facebook, um IM de second life, sinais de fumo, pombos correio e outros métodos menos convencionais.

Mas o facto é que não estou muito bom. Nestes últimos, vá, novecentos dias, muita coisa que constituía o meu mundo, o meu lado da barricada, sumiu, qual varrido do mapa pela inexorabilidade dos tempos. A maior referência da minha vida, que me acompanhou desde o berço, desapareceu, sucumbindo à força maior de uma doença que ganha sempre, não interessando as voltas que se tente dar; o local onde dediquei catorze anos da minha vida, onde fiz amizades (e onde não deixei saudades nenhumas, ao que consta) simplesmente desapareceu; coisas a que me dediquei de alma e coração (independentemente do jeito que tivesse para tal) foram ficando para trás, ficando um vazio por preencher e a saudade, palavra tipicamente tuga. E como tal fiquei refém. Refém de um passado que não existe mais. Os meus amigos, os meus conhecidos começaram a tornar-se marcas desse passado que doía por não existir mais…Não me olvido de nenhum. Contudo, este vazio torna-se cada vez maior. O passado, que me deu já muitas alegrias, neste momento torna-se a única coisa que me apoia e, simultaneamente, me magoa. Pois nada mais me resta a não ser o vazio.

Tenho razões para estar feliz: tenho uma mulher que amo, um filho lindo, um emprego estável (que posso não apreciar particularmente mas tenho…até ver), a nível material poderia aspirar a um pouco mais…mas tenho tudo o que preciso. Contudo, esta mágoa, este vazio que sinto, mata-me aos poucos. Já fui mais feliz. Este meu isolamento deve-se sobretudo a isso mesmo. Ao facto de me sentir infeliz. Mas quem me conhece sabe que não gosto de estar só. Preciso de todos. Amigos. Conhecidos. Não me isolo porque não gosto de vocês…isolo-me por não estar bem. Por não sentir que seja boa companhia…e por não gostar de fazer as coisas sozinho.

Não estou a passar um bom bocado. A criatividade meteu férias…fugiu de braço dado com a imaginação para um lugar longínquo e não disse onde era. Em seu lugar ficou o escuro. O oco. O vazio. O deserto. E cada vez mais me assusta o facto de não encontrar nada que me desperte tudo isso de novo. Estarei a tornar-me um gajo mais chato do que já era? Mais rabugento? Será isto a que chamam amargar?

 

Muito ainda ficou por dizer…mas agradeço a todos os que ainda se lembram.

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Boca do Inferno,by RAP Basta, estou farto.

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